Moda Barata, Saúde Cara: o custo invisível que vai pesar no SNS
A roupa nunca foi tão barata.
Mas o preço real não aparece na etiqueta.
Hoje, basta pegar num telemóvel para comprar roupa a preços irrisórios em plataformas de ultra fast fashion, como a SHEIN.
Coleções novas surgem diariamente, incentivando um consumo excessivo e transformando a roupa num produto descartável — muitas vezes usada poucas vezes… ou nunca.
Mas qual é a fatura que o planeta está a pagar por este modelo?
E que consequências terá para a nossa saúde no futuro?
Fast fashion: produção rápida, controlo mínimo
A fast fashion e a ultra fast fashion são produzidas a uma velocidade extrema, maioritariamente fora da União Europeia, em países onde:
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os controlos ambientais são fracos ou inexistentes;
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os direitos laborais são frequentemente ignorados;
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o uso de químicos perigosos é comum.
Entre estes químicos encontram-se formaldeído, ftalatos, PFAS, aminas aromáticas, entre outros.
Muitas destas peças chegam diretamente às nossas casas através de compras online, contendo resíduos químicos em concentrações preocupantes.
Lavar a roupa não resolve o problema.
Vários destes compostos são conhecidos como “químicos eternos”: persistem no ambiente durante centenas de anos e entram no nosso organismo por:
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contacto direto com a pele;
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inalação;
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e, após a lavagem, através do ciclo da água.
Impacto real na saúde
A investigação científica já associa a exposição prolongada a determinados químicos têxteis a:
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problemas respiratórios;
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perturbações hormonais;
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infertilidade;
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alterações no desenvolvimento infantil;
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aumento do risco de cancro.
REACH: uma proteção contornada
Desde 2007, a União Europeia implementou o regulamento REACH, com o objetivo de proteger os consumidores e o ambiente.
No entanto, o crescimento explosivo das compras online de produtos fabricados fora da UE está a contornar este sistema.
Todos os dias, a Europa é inundada com vestuário importado sem controlo efetivo — um custo que será pago ambientalmente e, mais grave ainda, em saúde pública.
Quem paga a fatura?
Quando a indústria não assume o verdadeiro custo da produção — quando o único critério é “ser barato” — quem paga somos todos, através do Serviço Nacional de Saúde.
Basta refletir:
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quanto custa tratar doenças respiratórias crónicas?
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cancros?
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problemas renais?
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infertilidade?
Pagamos duas vezes:
👉 no consumo barato de hoje
👉 e nos impostos caros de amanhã
Isto não é opinião — é investigação
Se achares que esta publicação não tem fundamento, basta pesquisar.
A Greenpeace revelou a presença de químicos perigosos acima dos limites legais em peças de fast fashion vendidas na Europa, incluindo produtos adquiridos online através de plataformas como a SHEIN.
A pergunta que fica
Estamos a poupar hoje…
ou apenas a adiar uma fatura de saúde que todos vamos pagar?
O que podemos — e devemos — fazer como consumidores?
Links úteis
Para quem quer agir
A Greenpeace lançou uma petição para exigir maior controlo químico e proteção do consumidor face à fast fashion:
👉 https://www.greenpeace.pt/como-ajudar/peticoes/shein/
Para quem quiser aprofundar
Investigação completa da Greenpeace sobre químicos perigosos na fast fashion:
👉 https://www.greenpeace.pt/noticias/quimicos-perigosos-e-producao-toxica-porque-precisamos-de-travar-a-shein/

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